Postado em: 24/09/2026
A minha consulta começa antes de qualquer exame. Começa pela pergunta mais simples, no que posso te ajudar, e pelo tempo de ouvir a resposta inteira.
Atendo em Porto Alegre, no meu consultório em Petrópolis, essa é a porta de entrada de todo caso de joelho.
Neste texto conto como conduzo a consulta, da primeira conversa até a decisão do tratamento, que é sempre tomada em conjunto.
Como começa a consulta
A consulta começa pela escuta. Nos primeiros minutos, deixo a pessoa falar sem interromper olhando para ela e não para a tela. É ouvindo a história do joelho que começo a entender o caso, antes de tocar na articulação.
Para mim, isso não é cortesia, é método. A pessoa não quer só receber um diagnóstico, ela quer ser acolhida e entender o que está acontecendo. Um paciente que se sente ouvido colabora mais com o tratamento.
Tento não magnificar o diagnóstico. Muita coisa que chega parecendo grave tem um caminho tranquilo, e parte do meu trabalho na primeira conversa é tirar o peso desnecessário, sem esconder o que precisa de atenção.
O que investigo antes de examinar o joelho?
Antes de tocar no joelho, eu já investigo a sua rotina de atividade física em detalhe e os gatilhos da dor.
Pergunto quantos dias você treina, se corre, se joga algo, porque tanto o excesso quanto a falta de movimento pesam no joelho. Depois mapeio o que dispara a dor.
- Dor para subir e descer escada;
- Dor para agachar;
- Dor ao dormir ou em repouso;
- Dor que aparece só no esporte ou na musculação.
- Dor depois de ficar muito tempo sentado, com o joelho dobrado;
- Sensação de o joelho falsear ou travar.
Alguém que faz carga alta todos os dias e ainda corre, por exemplo, pode estar exagerando sem perceber. Esses detalhes transformam uma queixa genérica em pistas concretas, que guiam o exame.
Como é o exame físico e a leitura dos exames de imagem
O exame físico compara o joelho com queixa e o joelho sadio. Com a história na mão, examino o joelho, testo os movimentos e comparo o lado com queixa com o lado sadio.
Quando você traz exames de imagem, eles entram como apoio, para confirmar o que o exame clínico sugeriu. A imagem complementa, não substitui a avaliação.
Como cada joelho tem dois meniscos, muitas vezes consigo mostrar, na própria imagem, o lado íntegro ao lado da lesão. Ver a diferença ajuda a pessoa a entender de onde vem a queixa.
Também explico o que a imagem não mostra. Um laudo pode descrever uma alteração que não é a causa da sua dor, e o contrário também acontece.
Por isso cruzo sempre o exame de imagem com o que encontro no exame físico e com a sua queixa.
Como explico o diagnóstico
Explico com o que a pessoa consegue ver. Uso um modelo anatômico do joelho, um desenho no papel e, quando ajuda, um vídeo de uma lesão parecida. Mostro lado a lado a estrutura sadia e a lesionada, para tirar a conversa do abstrato.
Antes de encerrar, pergunto se ficou claro. É uma pergunta simples, e ela abre espaço para a dúvida que ainda não foi dita.
Faz parte do atendimento sair sabendo por que uma conduta faz mais sentido que outra, não só o nome do diagnóstico.
Quando é um caso de menisco, por exemplo, mostro no modelo a diferença entre o tecido íntegro e o rasgado e comparo com o seu exame.
Ver a própria lesão muda a conversa: a pessoa entende por que indico preservar, suturar ou apenas acompanhar.
A consulta termina com cirurgia marcada?
Nem sempre. Boa parte dos casos segue tratamento conservador, com fortalecimento, ajuste de carga e acompanhamento.
Quando a cirurgia é o caminho, explico o porquê, e a decisão é tomada em conjunto, nunca imposta.
Costumo dizer que o tratamento é personalizado: independentemente da sua lesão, a conduta é decidida para o seu joelho, considerando o que você busca para a sua vida.
E administro a expectativa com franqueza desde o primeiro dia, porque cada caso tem o seu tempo de recuperação.
Quando o caminho é conservador, oriento o ajuste de carga, o fortalecimento e, quando cabe, a fisioterapia, e marco um retorno para acompanhar.
A cirurgia não é o ponto de partida, é uma opção entre outras, usada quando faz diferença real para o seu joelho.
Como decido entre tratar sem cirurgia e operar
Parto de um princípio: nem toda lesão precisa de cirurgia. Quando existe um caminho conservador seguro, ofereço esse caminho primeiro.
A cirurgia entra quando a lesão tem indicação clara e é o que resolve o seu caso, decidida junto com você.
Essa decisão é tomada em duas vias: trago o lado técnico, a indicação e os prazos, e você traz a sua rotina, os seus receios e o que espera da recuperação.
Considero quem está na minha frente antes de fechar a conduta, porque um mesmo diagnóstico pode ter caminhos diferentes dependendo de quem está na minha frente.
O que levar na consulta
O atendimento é com hora marcada, de segunda a sexta, das 8h às 17h. Vale levar os exames de imagem que você já tem, mesmo os antigos, os laudos de cirurgias anteriores no joelho e a lista dos medicamentos que usa.
Hoje quase todo exame é digital, então basta a chave de acesso ou o link do laboratório.
● Exames de imagem, com a chave de acesso ou o link do laboratório;
● Laudos e relatórios de cirurgias anteriores;
● Lista dos medicamentos em uso;
● Roupa que facilite a exposição do joelho.
O que você leva da consulta?
Você sai com um encaminhamento concreto, não só com um diagnóstico. O que leva depende do caminho definido na avaliação.
- Com indicação de cirurgia: uma pasta impressa, com orientações de pós-operatório, medicação, horários e o termo de consentimento;
- Sem indicação de cirurgia: a solicitação dos exames pelo portal do convênio e medidas para aliviar a dor até o retorno.